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Abortamento de Repetição

Aborto de repetição ou aborto habitual é o acontecimento de duas ou mais perdas gestacionais iniciais consecutivas. Apesar do aborto ser uma ocorrência comum, duas perdas consecutivas acontecem em apenas 5% dos casais e três perdas consecutivas em 1% deles.
A ocorrência de um aborto não indica avaliação mais aprofundada. Porém, depois de dois abortos consecutivos indica-se avaliação criteriosa do casal e acompanhamento psicológico se necessário.
É importante ressaltar que mesmo após investigação exaustiva, mais de 50% dos casais ficam sem diagnóstico definido. Ainda assim, existem boas chances de que uma próxima gestação chegue até o final.
As principais causas do abortamento de repetição estão citadas a seguir:

Idade Materna
A partir dos 40 anos, as chances de um aborto podem passar 30%. Isto acontece por que o envelhecimento dos óvulos faz com que os embriões gerados tenham maior chance de apresentar anomalias cromossômicas.

Anomalias Cromossômicas
A maioria dos abortos ocorre por anomalias cromossômicas devido a um erro aleatório na “recombinação” cromossômica durante a formação do embrião, ainda que os pais sejam jovens e saudáveis.
Em casos mais raros (menos de 5% dos casais), um dos pais pode ter uma alteração em seus cromossomos e passá-la para o embrião. Esta alteração é diagnosticada por um exame realizado em sangue chamado cariotipo. Nestes casos pode ser necessário a realização de fertilização in vitro com diangóstico genético pré implantacional para identificar os embriões sem alterações.

Alterações Metabólicas e Obesidade
Mulheres com diabetes não controlada e/ou obesas têm maior chance de ter um aborto. Recomenda-se o controle dos níveis de açúcar no sangue e a perda de peso.

Alterações Uterinas
As alterações da anatomia uterina, principalmente as que distorcem a cavidade do útero, podem ser causa de aborto. Miomas, pólipos, aderências, malformações uterinas, etc… devem ser tratados se identificados. Exames como a histerossalpingofrafia, ultrassonografia vaginal e a histeroscopia são de grande valia neste diagnóstico.

Síndrome do Anticorpo Anti-fosfolípide (SAAF)
A SAF pode ser causa de aborto de repetição entre 3% e 15% dos casos.
O diagnóstico é feito pela presença de anticorpos anti-cardiolipina ou anticoagulante lúpico no sangue. O exame positivo deve ser repetido após 6 semanas para confirmação.
Pacientes com SAF devem ser tratadas com aspirina e heparina durante a gestação para evitar novo aborto.
É importante ressaltar que o exame positivo, sem a ocorrência de aborto ou episódio prévio de trombose não indica o tratamento com aspirina e heparina.

Trombofilias
As trombofilias hereditárias podem causar aborto e perdas gestacionais tardias. Não há consenso se o uso de anticoagulantes durante a gestação pode prevenir estes acontecimentos.

Exames e tratamentos sem benefício comprovado:
Segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) a realização de exames como anticorpos anti-nucleares, anticorpos anti-tireoide, anticorpos anti soro paterno (Cross Match) não trazem nenhum tipo de benefício aos casais com história de aborto.
Tratamentos como imunoglobulina intravenosa e imunização com linfócitos paternos (vacinas) também devem ser evitados por não há evidência de sua eficácia.

Os casais com história de aborto, principalmente aqueles sem diagnóstico, devem buscar um estilo de vida saudável, evitar fumo e uso de álcool e cafeína em excesso, realizar exercícios físicos e , se sentirem necessidade, procurar acompanhamento psicológico.