“Bebês projetados: o que os novos tratamentos reprodutivos significam para as famílias e a sociedade”?

A fertilização in vitro (FIV) e as demais tecnologias relacionadas à reprodução assistida não são mais procedimentos experimentais. Em alguns países europeus, até 4% de todos os bebês nascidos são concebidos por fertilização in vitro (FIV), e em cada sala de aula do jardim de infância, haverá, sem dúvida, pelo menos uma criança “fruto de uma FIV”.

Seria a reprodução assistida a solução para a epidemia atual de infertilidade? O que os novos tratamentos reprodutivos significam para as famílias e a sociedade?  Bart Fauser e Devroey Paulo tentam responder estes questionamentos em ‘Baby-making’: What the new reproductive treatments mean for families and society, livro que toca em diversos temas polêmicos relacionados ao campo da reprodução humana assistida.

Os autores, duas autoridades mundiais no tema, apresentam um relato detalhado de reprodução assistida, descrevendo como esta técnica é aplicada para ajudar casais inférteis a ter um bebê.  Sob o ponto de vista médico, os autores descrevem procedimentos como a fertilização in vitro, técnicas de injeção de esperma, doação de óvulos, preservação da fertilidade, transferência de embrião único e cirurgias reprodutivas.

Do ponto de vista social, Fauser e Devroey discutem os tratamentos de fertilidade em pacientes que não são inférteis, como em mulheres solteiras ou lésbicas e uma das grandes controvérsias que ronda a reprodução assistida: o furor dos “bebês projetados” (manipulação de material genético para produzir bebês com olhos azuis ou um alto QI, ou de um determinado sexo). Os autores defendem que tais procedimentos são aceitáveis quando visam assegurar a concepção de um bebê sadio ou uma gravidez mais segura.

A obra também toca em feridas para todos os especialistas em infertilidade: a questão da investigação das causas de fertilidade e o aperfeiçoamento dos tratamentos, visando evitar as gravidezes múltiplas, uma tendência da FIV que se manteve firme, ao longo de sua história de trinta anos.

Por fim, os autores também discutem a questão do aumento da infertilidade relacionada à idade (” estamos vivendo uma epidemia de infertilidade?”) e o possível uso da fertilização in vitro para enfrentar este desafio e melhorar as taxas de natalidade. O capítulo final olha para o futuro e propõe que os limites para a reprodução assistida sejam definidos mais do que por considerações éticas do que pelo progresso científico.

Vale a pena refletir sobre os temas propostos!

Dr. Jonathas Borges Soares, ginecologista, diretor do Projeto ALFA,Aliança de Laboratórios de Fertilização Assistida.