Nunca é demais repetir: a infertilidade é para ser tratada, não é um segredo!

É muito importante compreender que a infertilidade é resultado de um funcionamento anormal do sistema reprodutivo masculino e/ou feminino. A Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM),  a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) reconhecem a infertilidade como uma doença, definida como a incapacidade de conceber após um ano de relações sexuais não protegidas (seis meses se a mulher tem acima de 35 anos) ou a incapacidade de levar uma gravidez até o nascimento.

A infertilidade é um problema importante para 1 em cada 8 casais, segundo a OMS. Para estas pessoas, a experiência da infertilidade envolve muitas perdas ocultas. Perdas que afetam o casal, seus entes queridos e a sociedade como um todo. Como a infertilidade envolve frequentemente grandes questões da vida pessoal, muitas vezes, a doença é percebida apenas como um assunto privado e não é normalmente discutida em fóruns públicos.

É esta “natureza pessoal da infertilidade” que contribui para o fracasso da divulgação de informações apropriadas para o público, para a classe política,  para os profissionais de saúde e  até mesmo para os meios de comunicação, que não tratam a infertilidade como uma doença. É esta “natureza pessoal” que gera abordagens completamente inadequadas desta doença.

Há trinta anos atrás, o câncer de mama ocupava o mesmo “lugar obscuro” que a infertilidade ocupa hoje. As mulheres e as famílias simplesmente não falavam sobre a doença.  Mas com a mobilização de inúmeros grupos de apoio e com a realização de diversos eventos públicos, o mundo inteiro sabe, hoje, que o laço cor de rosa é o símbolo internacional da luta pela prevenção e pelo tratamento do câncer de mama.

Mulheres que antes lutavam contra o câncer de mama, em silêncio, se sentiam isoladas e ignoradas socialmente. Agora, há um diálogo mundial sobre a doença e o câncer de mama recebe recursos multimilionários, a cada ano, para o financiamento da pesquisa objetivando sua cura, o que faz com que as pacientes se sintam socialmente respaldadas.

Muitas outras doenças, hoje, enfrentam o mesmo estigma que a infertilidade, a AIDS, por exemplo, é um terreno onde “tudo é segredo”. Considero que o silêncio é uma das principais razões para que a infertilidade “se mantenha onde está”. Ao começarmos a falar sobre infertilidade, vamos deixar o mundo saber que os problemas dos inférteis são reais, afetam pessoas reais, o que provocaria um impacto muito grande nas políticas de saúde públicas. Precisamos de um efeito dominó neste sentido!

Vamos fazer deste espaço, com a sua ajuda, um local para a discussão aberta sobre a infertilidade.

Dr. Jonathas Borges Soares, ginecologista, diretor do Projeto ALFA,Aliança de Laboratórios de Fertilização Assistida.