Azoospermia: quando o homem não produz espermatozóides...

Há algum tempo, eu atendi o Cláudio, rapaz de 24 anos que chegou com um semblante muito sério ao consultório, quase triste. Contou-me que estava casado há um ano e que sua esposa, Fátima, parou de tomar pílula anticoncepcional há dez meses. Como não conseguiram engravidar, foram ao ginecologista da Fátima.
Os exames realizados por sua esposa deram resultados normais, mas os dois espermogramas que Cláudio fez mostraram ausência de espermatozoides. Tentando brincar, ele disse: 'Não havia unzinho para contar história'. O seu problema era o que chamamos de azoospermia.
O que é azoospermia?
Quando o espermograma não mostra espermatozóides, como no caso de Cláudio, se dá o nome de azoospermia. Esta condição pode ocorrer porque os testículos não recebem hormônios suficientes para estimular a produção, situação bastante rara. As principais causas para a azoospermia podem ser divididas em dois quadros: obstrutivo e não obstrutivo.
Azoospermia obstrutiva
Nesse caso, o problema acontece quando há uma barreira que impede a circulação dos espermatozóides entre o testículo e a uretra. Por causa dessa obstrução, os espermatozóides não conseguem chegar até a ejaculação.
Entre os motivos mais comuns no bloqueio deste percurso está o procedimento de vasectomia, quando os dutos da passagem são propositalmente bloqueados, como método contraceptivo. Mas o bloqueio também pode ser causado por infecções nos testículos e epidídimos ou até ser congênito, em meninos que nascem sem uma parte dos dutos que transportam os espermatozóides.
Azoospermia secretória ou não obstrutiva
Diferente do quadro obstrutivo, na azoospermia não obstrutiva os dutos estão intactos. O problema, nesse caso, está na falta de espermatozóides nos testículos.
É importante entender que esperma (sêmen) não é sinônimo de espermatozóide. O esperma é o líquido ejaculado, enquanto os espermatozóides são os gametas ejaculados junto com o sêmen.
Também vale lembrar que a azoospermia não obstrutiva ou secretória pode ser causada por diversos fatores, como agentes tóxicos, problemas congênitos, hormonais e genéticos.
Azoospermia tem cura?
Pela dificuldade na correção do problema, pelo menos até 1992, muitas vezes a única forma que homens diagnosticados com azoospermia tinham para ter filhos era por meio da adoção ou por inseminação artificial com sêmen de doador. Mas, naquele ano, surgiu a injeção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI), que passou a possibilitar a gestação por meio da injeção de um único espermatozóide, diretamente no óvulo.
Como geralmente os homens com azoospermia secretora podem ter de 20% a 75% de espermatozóides nos testículos, as chances de sucesso na fertilização aumentaram muito desde então.
Atualmente, nos casos descritos acima, retiramos um pequeno tecido do testículo. Depois, por meio de uma biópsia e em laboratórios altamente especializados, este material é meticulosamente examinado à procura de espermatozóides.
No último caso em que eu mesmo fiz a biópsia, durante o tratamento de um casal, nós encontramos cinco espermatozóides vivos nos testículos do marido. Esses gametas foram injetados nos óvulos da esposa, e geraram três embriões, que foram colocados no útero. Pouco tempo depois, tivemos a confirmação de que a esposa estava grávida.
Outros tratamentos para azoospermia
Mas é claro que cada tratamento vai depender da identificação de cada um dos vários diagnósticos possíveis para o problema.
No caso da azoospermia obstrutiva, em princípio o tratamento consiste na desobstrução anatômica do bloqueio que impede a passagem do espermatozóide. É essencial ressaltar que, para os casos de vasectomia, por exemplo, há cirurgias de reversão.
Na impossibilidade de desfazer esse bloqueio, também é possível coletar os espermatozóides diretamente do epidídimo (duto dentro do aparelho reprodutor masculino), onde eles ficam armazenados, para posteriormente realizar tratamentos de reprodução assistida como a fertilização in vitro (FIV).
Já nos quadros de azoospermia não obstrutiva, além da biópsia já comentada, o tratamento vai depender do diagnóstico do médico especialista e pode envolver desde reposições hormonais até a recomendação de restrição para alguma substância, entre outros diversos caminhos possíveis.
Como se diagnostica azoospermia
Voltando ao Cláudio, depois de receber todas as informações sobre o assunto e suas possibilidades, o paciente ficou muito interessado e quis saber se era garantido encontrar espermatozóides em seus testículos.
Informei a ele que alguns exames, como a dosagem do FSH, hormônio que no homem estimula a produção espermática, além de testes para avaliar a integridade genética, poderiam dar uma pista. Mas, a comprovação definitiva só acontece na realização da biópsia.
Eu pedi esses exames para o Claudio, que ficou de voltar com Fátima para discutirmos melhor as opções. Na despedida, ele já estava um pouco mais esperançoso. Afinal, algumas vezes a tecnologia pode mostrar algumas saídas para situações muito difíceis.
Antes de mais nada, procure um médico ou clínica de preferência e confiança e obtenha mais informações sobre todas as possibilidades do seu tratamento. Aqui, no Projeto Beta, você encontrará todas as orientações necessárias e tratamento, caso seja diagnosticado com azoospermia.
Só depois de todos os diagnósticos é que os próximos passos serão definidos por você e os especialistas para que a escolha seja a mais saudável, assertiva e eficiente possível.
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Dr. Sidney Glina, urologista, diretor do Projeto ALFA, Aliança de Laboratórios de Fertilização Assistida.
Categoria: Blog
Publicado em: 29/04/2020
