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Pessoas Trans Podem Preservar Fertilidade?

 

Junho é reconhecido mundialmente como o Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, um período dedicado à visibilidade, ao respeito e à valorização da diversidade. Neste contexto, também é importante ampliar o diálogo sobre temas que fazem parte dos projetos de vida dessa população, incluindo o planejamento familiar e as possibilidades de construção da parentalidade. Entre as dúvidas mais frequentes está a preservação da fertilidade para pessoas trans e os caminhos disponíveis para quem deseja manter a possibilidade de ter filhos biológicos no futuro.

A jornada de afirmação de gênero é um percurso profundo de autodescoberta e busca por autonomia, onde cada decisão visa alinhar a vivência externa à identidade interna. Nesse contexto, é natural que surjam questionamentos sobre o futuro, sendo um dos mais frequentes: 'Minha transição impede que eu tenha filhos biológicos?'.

Atualmente, os avanços da medicina reprodutiva permitem que identidade de gênero e desejo de parentalidade caminhem juntos. Graças aos avanços da medicina reprodutiva, a resposta para essa dúvida é positiva: pessoas trans podem, sim, preservar sua fertilidade e realizar o sonho de ter filhos biológicos no momento que considerarem adequado.

 

O que é a Preservação da Fertilidade e como funciona a Criopreservação?

Preservar a fertilidade é, essencialmente, utilizar a tecnologia para pausar o relógio biológico. O método considerado padrão ouro para preservação da fertilidade é a criopreservação.

Este processo consiste no congelamento de gametas (óvulos ou espermatozoides) em temperaturas de -196°C, utilizando nitrogênio líquido. Essa técnica garante:

  • Viabilidade Celular: As células mantêm sua qualidade original por tempo indeterminado.

  • Segurança e Rastreabilidade: Protocolos modernos que asseguram a integridade do material genético.

  • Futuro Planejado: No momento oportuno, os gametas podem ser utilizados em procedimentos como a Fertilização In Vitro (FIV).

 

Possibilidades de preservação para pessoas trans

As estratégias de preservação devem ser individualizadas e definidas em conjunto com o médico responsável pelo acompanhamento do paciente.

 

Mulheres trans

A técnica indicada é o congelamento de espermatozoides.

  • O Momento Ideal: O ideal é realizar a coleta antes do início da hormonioterapia de afirmação de gênero, pois o estrogênio e bloqueadores de testosterona podem suspender a produção de gametas.

  • Já iniciei a transição, e agora? Em alguns casos, o médico responsável pode avaliar a possibilidade de uma pausa temporária na medicação para viabilizar a coleta de espermatozoides.

 

homem trans gravidoHomens trans

A preservação ocorre via congelamento de óvulos.

  • Reserva Ovariana: Muitos homens trans mantêm óvulos viáveis mesmo após anos de uso de testosterona.

  • O Processo: Envolve a estimulação ovariana medicamentosa e a coleta via punção. A suspensão temporária da testosterona, quando necessária, deve ser conduzida sob orientação da equipe médica responsável pelo tratamento.

 

Fatores que influenciam as decisões

A decisão de preservar a fertilidade deve considerar diversos fatores clínicos e pessoais que impactam o sucesso do procedimento:

Idade: A qualidade e a quantidade dos gametas são influenciadas pelo tempo. Realizar a preservação o quanto antes costuma oferecer melhores taxas de sucesso futuro.

Etapa da transição: O uso de hormônios e a realização de cirurgias genitais (como orquiectomia ou ooforectomia) definem as possibilidades disponíveis. O planejamento prévio é sempre a estratégia mais eficaz.

Saúde geral: Condições clínicas preexistentes e hábitos de vida são avaliados para garantir que o processo de coleta seja seguro e eficiente.

 

A importância da estrutura laboratorial na preservação da fertilidade

O sucesso dos programas de preservação da fertilidade depende não apenas da condução médica adequada, mas também da qualidade dos processos laboratoriais envolvidos no armazenamento dos gametas.

Laboratórios especializados em reprodução humana desempenham papel fundamental na criopreservação, garantindo controle rigoroso de temperatura, rastreabilidade, monitoramento contínuo e protocolos de segurança para a manutenção do material biológico armazenado.

A combinação entre tecnologia, controle de qualidade e boas práticas laboratoriais contribui para oferecer segurança e confiabilidade aos pacientes que desejam preservar suas possibilidades reprodutivas para o futuro.

 

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Categoria: Blog

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